O Grupo

O nosso maior objetivo é Estudar, Discutir e Difundir a Permacultura e as Tecnologias Apropriadas mostrando que existem diferentes alternativas que oferecem menores impactos ao ambiente e baixo custos de aplicação.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Oficinas na Semana de Biologia da UCB

Em Dezembro de 2009, foi realizada a Semana da Biologia da Universidade Católica de Brasília. O evento foi organizado pelo Centro Acadêmico de Biologia (CABio) e teve a participação de vários profissionais da área, realizando palestras, oficinas e mini-cursos.
O GEPEC também esteve presente, aproveitando a oportunidade para semear a permacultura no Campus com duas oficinas: "Introdução à Permacultura e Aquecedor Solar de Baixo Custo" e "Permacultura Urbana e Jardins Agroflorestais".
Para que a oficina se realizasse o grupo preparou o espaço para receber os participantes, e esta etapa não foi nada fácil. Alguns dias antes do evento os integrantes do GEPEC se organizaram para o transporte dos materiais, que iriam fazer parte das oficinas. A ação foi um momento bem descontraído e divertido, como a permacultura deve ser. Sem muitos recursos o transporte foi realizado nos próprios carros dos integrantes do grupo, e com muito bom humor foram batizados com nomes sugestivos.
Depois de alguns anos de existência o grupo mantêm o humor e a coletividade em suas ações, promovendo a cooperação e semeando a sustentabilidade.


"Carro movido à energia solar"

"Belina Sol"

"Desingners do carro solar"

"Carro movido à lenha"
"Fiat Lenha"

As oficinas foram realizadas em dois dias, um dia para a parte teórica, onde foram apresentados as técnicas e discutidos os conceitos e outro para a prática, que foram realizadas no próprio Campus da universidade no espaço CELOGS (Centro de Logística e Subsistência).

OFICINA DE AQUECEDOR SOLAR DE BAIXO CUSTO
E
INTRODUÇÃO À PERMACULTURA

Nesta oficina foram abordados os principais conceitos e princípios da Permacultura, além de técnicas e tecnologias sustentáveis. O principal objetivo desta oficina foi mostrar que é possível criar sistemas que sejam ecologicamente corretos e economicamente viáveis, que supram as necessidades e que não explorem de forma predatória ou poluam o nosso ambiente tornando-se sustentáveis à longo Prazo.
Segundo um dos criadores do termo Permacultura (Bill Mllison), a Permacultura é baseada na observação de sistemas naturais, na sabedoria contida em sistemas produtivos tradicionais e no conhecimento moderno, científico e tecnológico. "A permacultura é um sistema pelo qual podemos existir no planeta Terra utilizando a energia que está naturalmente em fluxo contínuo".

Discussão sobre a Permacultura e seus princípios

Uma das tecnologias utilizadas para demonstrar a permacultura na prática foi o Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC). Um sistema de aquecimento de água de fácil construção desenvolvido pela sociendade do Sol, ONG responsável pela difusão desta tecnologia.

Equipamento demonstrativo de um ASBC

O funcionamento do ASBC se inicia quando a energia solar irradiante, incide sobre a superfície preta dos coletores. A energia absorvida transforma-se em calor e aquece a água que se encontra no interior dos coletores. A água aquecida diminui sua densidade e começa a se movimentar em direção ao reservatório, previamente isolado, dando início a um processo natural de circulação da água, chamado de termo-sifão. Para que ocorra a circulação o reservatório deve se encontrar mais alto do que os coletores. Este processo é contínuo até que a temperatura da água seja a mesma em todo o sistema.

Participantes da Oficina de Aquecedor Solar
e introdução à Permacultura

Na parte prática desta oficina os participantes tiveram a oportunidade de construir um Aquecedor Solar de Água com Materiais Recicláveis. Este aquecedor solar foi desenvolvido pelo Aposentado José Alcino Alano. Ele disponibilizou a tecnologia para todos que se interessarem. O princípio é o mesmo do ASBC , porém, os coletores são feitos de garrafas PET, canos de PVC marrom e caixas de leite Tetra PaK. O aposentado encontrou um destino útil para essas embalagens, em vez de descartá-las no lixo e gerar impactos ao meio ambiente, criou este sistema simples e de baixo custo, podendo ser implantando em residências de famílias com baixa renda e em instituições com fins sociais.

OFICINA DE INTRODUÇÃO À PERMACULTURA URBANA
E
JARDINS AGROFLORESTAIS

A oficina de Permacultura Urbana e Jardins Agroflorestais foi um momento de grande aprendizado e discussão. O foco foi em relação ao questionamento de como podemos colocar a permacultura em prática nos pequenos espaços de nossa casa?
A parte teórica desta oficina também abordou os diversos conceitos e princípios da permacultura, mostrando que tudo deve ser considerado de forma sistêmica, para que os produtos de cada elemento supram as necessidades de outro.
Durante a palestra foi discutido maneiras de como podemos transformar os espaços urbanos ociosos em espaços produtivos,
mostrando assim, que os princípios da permacultura permeia todos os aspectos dos sistemas ambientais, comunitários, econômicos e sociais.
Para demonstrar a permacultura urbana na prática os participantes tiveram a oportunidade de aprender um pouco sobre Compostagem, minhocários caseiros, hortas urbanas e também sobre os princípios da Agrofloresta.
A atividade principal desta oficina foi a elaboração do desenho de um jardim agroflorestal e o plantio do mesmo. Neste momento foi realizado um debate sobre a sucessão natural do sistema agroflorestal e a interrelação entre as espécies vegetais. O formato do desenho foi decidido em grupo, possibilitando que cada participante contribuísse com suas ideias e mostrassem o que tinham aprendido no decorrer da oficina. A forma do Jardim e as espécies vegetais foram definidas e desenhadas em uma prancheta, a fim de planejar o trabalho.

Elaboração do desenho do Jardim Florestal

Discussão sobre a Sucessão Ecológica e
a evolução de cada espécie no sistema


Finalizando o desenho do Jardim Agroflorestal
em formato de Mandala

A partir daí os participantes começaram a colocar a mão na massa, capinando, abrindo berços, e afofando a terra. Onde existia apenas grama, um grande círculo, de aproximadamente uns 4m de diâmetro, foi aberto, e no meio do círculo um berço de bananeira.

Mãos à Obra
Cada canteiro formava uma pétala da mandala, e foram cavados com cerca de 20cm de profundidade.O próprio solo escavado do canteiro foi recolocado no mesmo local de origem, formando um canteiro de 20cm de altura e 20cm de profundidade, totaliazando uma camada de 40cm de solo fofo. Todas as pétalas que compunham a mandala seguiram a mesma ideia, escavando o solo 20cm de profundidade e revolvendo até atingir cerca de 40cm no total.

Abertura dos canteiros em formato de Mandala
Várias toras de madeira foram colocadas em volta dos canteiros e de todo o sistema, servindo tanto de matéria orgânica, como contenção da terra. Segundo Um dos maiores pesquisadores e difusor da Agrofloresta no Brasil, Ernest Götsch diz que as podas tem uma função extremamente importante para acelerar o fluxo de matéria orgânica no sistema, favorecendo a simbiose entre os microorganismos do solo e as plantas do sistema.

Plantio de bananeira no centro da Mandala
Para que ficasse bem claro a lógica da sucessão natural, o consórcio escolhido para o sistema levou em consideração tanto a dinâmica do ciclo de vida como os estratos que cada espécie ocupa no sistema. Entre as espécies escolhidas estão as pioneiras como: Milho, feijão, feijão de porco, tomate, rabanete, rúcula; as Secundárias I: Abacaxi, feijão guadú, mamão, cana, mandioca, margaridão, capim elefante; as Secundárias II: Banana, amora, pitanga; as Secundárias III: guapuruvú, Cajueiro, Angico; e as Transicionais: Café, Açaí, entre outras.

Plantio de Frutífera e Palmeira junto ao berço da bananeira

Mandala ganhando forma
Para a finalização da atividade todos os canteiros foram cobertos com uma camada de matéria orgânica, afim de proteger e proporcionar melhores condições para o sistema. A biomassa incorporada ao solo fornecerá alimento inicial para as formigas, insetos e minhocas que irão processar essa matéria e disponibilizar para os microorganismos como fungos e bactérias. Com a atividade destes animais o solo se tornará mais areado e permeável permitindo que os nutrientes cheguem às raízes das plantas com maior facilidade.

Finalização do plantio e apreciação do trabalho realizado

Jardim Agroflorestal em Formato de Mandala
As oficinas tiveram todo o apoio do espaço CELOGS e do CAbio permitindo que o GEPEC mais uma vez trouxesse um pouco dos conhecimentos da Permacultura para serem discutidos em um ambiente acadêmico.
O conhecimento construído permitiu a todos uma experiência única e a vontade de contribuir cada vez mais para que a discussão não acabe.

Fritjof Capra em uma de suas obras diz que as comunidades sustentáveis desenvolvem seus modos de vida no decorrer do tempo, mediante uma interação contínua com outros sistemas vivos, tanto humanos como não-humanos, não sendo um processo estático e sim um processo dinâmico de coevolução.

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